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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sobrevivi ao Holocausto

O polonês Julio Gartner é testemunha ocular do holocausto, sobrevivente raro de um dos maiores crimes já cometidos pela e contra a humanidade: o assassinato de milhões de judeus de forma industrial pela Alemanha nazista de Adolf Hitler. Depois de buscar abrigo em terras brasileiras, nunca mais retornou ao Campo de Concentração de Ebensee, na Áustria, um dos muitos lugares onde algumas das páginas mais tristes do século passado foram escritas. A jovem Marina Kagan, de 27 anos, conhece o fato apenas através dos livros de história. O documentário de Marcio Pitliuk e Caio Cobra promove a reunião desses dois personagens, e o sobrevivente mostra pessoalmente sua visão sobre o ocorrido.

A equipe de filmagem registrou os locais onde tudo aconteceu. Foram mais de 40 dias viajando por 15 cidades de Polônia, Áustria, Itália, França e Brasil, promovendo um encontro entre passado e presente. Marina possui a idade de Julio quando este foi libertado do campo de trabalhos forçados, e caminha pelos lugares com o mesmo olhar jovial do sobrevivente à época, trazendo nos olhos, no entanto, a perplexidade da diferença entre ler sobre o assunto e presenciar o espaço em que a tragédia ocorreu. O relato de Julio sobre a barbárie cometida pelo exército alemão é tocante e inspirador, e o protagonista exerce papel quase heroico para sua companheira de viagem, surpresa com sua força para superar as adversidades e começar uma nova vida no Brasil.

O drama da vida de Julio é um possível resumo da tragédia de praticamente todas as famílias judaicas da Europa no período da 2ª Guerra Mundial. Com a invasão das tropas nazistas, ele foi obrigado a morar no gueto de Cracóvia, e depois foi realocado para o campo de concentração. Ao fim do conflito, o polonês mudou-se para a Itália, morando em Roma e Santa Maria al Bagno, antes de finalmente embarcar rumo ao Brasil. Sua emoção ao retornar a uma área que lhe remete a tantas tragédias é contida, e ele repete, como um mantra, ser sempre necessário olhar para frente. Sua companheira de viagem, ao contrário, não esconde indignação com a história, explicitando toda sua emoção ao passar pela zona, e fica espantada ao indagar como é possível olhar para frente sem preservar o passado.
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